domingo, 23 de fevereiro de 2020

Box molhado

Eu estava no banho depois de demorar minutos pra entrar naquele box grande, com aquelas cortinas de motel barato. Eu tava animado, ouvindo música animada, duradouro momento.
Coloquei a mão na cabeça, perto da nuca, inclinei meu corpo para o lado da parede, e resolvi me dispôr a pensar. Mesmo sabendo que seria uma derradeira má ideia, porque depois não haveria volta. Como último recuso de tristeza, coloquei Blowin in the wind do Bob Dylan e as palavras cantarolantes dele, viraram verdades naquele momento, como em tantos outros. A santa magia acabou.
 Meus ''amigos'' não são meus amigos, são apenas mais almas a procura da não solidão que eu já estava mergulhado. Foi o momento epitáfio da minha morte, colocaram a placa de morto em cima de mim, com dizeres bizarros e eu não pude fazer nada. Naquele momento eu era apenas mais uma pessoa no mundo, sozinha e melancólica, apenas mais um menino triste em meio a tantas outras mentes perturbadas. Eu era o nada que nunca quis me tornar. Minha mão tremia com a ideia de ser só mais um. Conformado penteio o cabelo e vou escrever o que acabará de sentir. e mesmo assim o vazio contínuo ficava coçando no meu peito.Hoje faço de mim o eterno e último momento. Existir é saber da futilidade e aceita-lá. Sejamos francos, façam a futilidade querer ir embora ou seremos assim, sozinhos e sempre presos naquele box com cortina de motel.

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