Eu estava no banho depois de demorar minutos pra entrar naquele box grande, com aquelas cortinas de motel barato. Eu tava animado, ouvindo música animada, duradouro momento.
Coloquei a mão na cabeça, perto da nuca, inclinei meu corpo para o lado da parede, e resolvi me dispôr a pensar. Mesmo sabendo que seria uma derradeira má ideia, porque depois não haveria volta. Como último recuso de tristeza, coloquei Blowin in the wind do Bob Dylan e as palavras cantarolantes dele, viraram verdades naquele momento, como em tantos outros. A santa magia acabou.
Meus ''amigos'' não são meus amigos, são apenas mais almas a procura da não solidão que eu já estava mergulhado. Foi o momento epitáfio da minha morte, colocaram a placa de morto em cima de mim, com dizeres bizarros e eu não pude fazer nada. Naquele momento eu era apenas mais uma pessoa no mundo, sozinha e melancólica, apenas mais um menino triste em meio a tantas outras mentes perturbadas. Eu era o nada que nunca quis me tornar. Minha mão tremia com a ideia de ser só mais um. Conformado penteio o cabelo e vou escrever o que acabará de sentir. e mesmo assim o vazio contínuo ficava coçando no meu peito.Hoje faço de mim o eterno e último momento. Existir é saber da futilidade e aceita-lá. Sejamos francos, façam a futilidade querer ir embora ou seremos assim, sozinhos e sempre presos naquele box com cortina de motel.
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