quarta-feira, 27 de abril de 2022

Se finjo, finjo errado


 Preciso escrever sobre como algumas pessoas enxergam essa questão de alguém não conseguir trabalhar, não conseguir sair de casa pra formar uma família ou vida. Muitas pessoas acham isso de mim, como se eu amasse e achasse perfeito a vida que eu levo, tudo é justificado, afinal, quem não trabalha é um encostado, um vagabundo explorador. Infelizmente isso me tira muito minha paz, porque não tem como mostrar que nada é o que parece, eu nunca peço nada pros meus pais, minha vida se resume em existir, as vezes eu ganho dinheiro, mas ajudo onde posso, porque a sensação de inutilidade que eu sinto me impede de não ligar que se eu não for útil de alguma forma, ninguém vai mesmo gostar de mim. Eu não sinto nada durante todos os dias, só confusão mental, me recluso mentalmente, apenas com expressões básicas e frases automáticas, tudo sem os remédios tem cor exagerada até a escuridão parece muito mais escura, mais chamativa. Meu pai foi pra santa catarina pra tentar mudar algumas coisas na vida, melhorar a qualidade de vida, então eu fico um tempo na minha dinda, e outra na minha mãedrasta. Aqui na dinda eu tenho mais tempo livre e consigo filtrar melhor sem fingir tanto, porém nunca tem melhora, eu não sou o que as pessoas conheceram sem remédio. Eu de verdade sou um relógio com defeito, que nunca mostra o horário certo, mas uma hora acerta os ponteiros travados. Se meu pai não existisse, eu já teria ido embora. Não tenho nada, nunca peço nada, nunca pedi por atenção de estranhos, os julgamentos nunca terminam depois da morte, mas a consequência de uma vida fica na consciência. Eu não quero nada além de morrer. NADA além de poder morrer sem causar estragos, se causa estrago eu adio, adio desde sempre. Meu vínculo é a compreensão que meu pai tem. Estragar o remeço dele não é uma opção pra mim. Eu nunca pedi pra me notarem, eu só quero viver essa existência miserável sem problemas. Se eu finjo tudo que eu sinto, se eu sou um aproveitador eu aprendo errado como fazer isso. Tudo que eu tenho eu dou, porque eu não quero NADA, um nada não poderia querer outra coisa além do anonimato até o ultimo suspiro.


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