Parece que eu volto pra essa tela em branco, escrever mais coisas negativas, mas que se eu não escrever vou pirar de vez, não tenho esse direto. Me sinto aqui preso nessa vida que eu não desejo, nada mais brilha quando eu olho pro céu. Sabe que eu sou o filho do meio, o que viu o começo das sensações e o fim. Todos meus irmãos se deram aparentemente bem na sua própria existência, eu não caibo na minha própria pele, busquei caber de todos os sentidos, não adianta, não sou daqui dessa forma de vida.
Como tudo foi chegando nesse momento desesperador, onde meu conforto vem de um passado simples com meus amigos na escola, como pode ter passado tão rápido, tínhamos o mundo inteiro ali, naquelas 4 horas.
Não consigo mais falar sobre nada que eu sinto com pessoas que eu devia conseguir dizer de uma maneira simples. Fiquei preso nas minhas próprias agonias e nada nem ninguém consegue me tirar daqui. O limbo é eterno e a dor também, comigo eu levo ela sem peso. Meu peito dói todos os dias, parece que eu vou enfartar, não posso ficar mal, a minha existência é cômoda, algo que se mantem em controle, as pessoas sabem que tudo que eu faço é brincar de existir, coisas simples não consigo fazer, mas sair pra transar eu consigo ? tudo tem o peso de ser falso. Se tudo que eu fiz e faço em vida é fingir, minha morte é a cena mais surreal. A tragédia é sempre tragédia... O que eu to tentando evitar ? Deus... a dor que eu sinto não tem medição, eu me sinto mal todos os dias, o vazio de existir, sou uma pessoa grata por tudo, nunca reclamo, sei que tenho sorte de ter pessoas que gostem de mim, mas esse peso da vida. Eu sou uma pessoa inútil, não posso ser funcional porque no fundo é o que eu sempre fui. Um erro que se envolveu com as coisas bonitas da vida.
não sei mesmo o que eu to tentando evitar, tragédia é sempre tragédia. Meu maior medo é isso interferir na vida das pessoas, eu mesmo morrendo seria a causa de mais conflito nas pessoas, mesmo sendo a coisa mais humana pra se fazer, aceitar que eu nunca conseguiria envelhecer, ficar bem, casar, ter filhos, fazer churrascos nos domingos, ensinar meus sobrinhos a tocar violão, mostrar bandas de rock.
Desculpem, mas mesmo meus irmãos nunca me viram, eu sou invisível, desculpem por querer ser visto e quando me olham me esconder. O que eu faço pra evitar algo que é inevitável ? Quem eu quero enganar, meu corpo morto vai ser encontrado por parentes, minhas roupas vão ser guardadas, doadas ou jogadas fora, o buraco que eu irei abrir no coração e na vida de quem eu toquei, o que diabos eu to tentando evitar ? Dizer que eu sou infeliz ajuda ? estrago a vida das pessoas mesmo morrendo. Ninguém tem como entender que respirar começou a doer fisicamente, minha mente espalha a dor fisicamente pra não sobrecarregar. Meu fim é a questão, minha morte segue acontecendo enquanto vivo.
Desculpem, mas não existiria solução, são dois egoísmos aqui, o meu e o de vocês.
Eu vivo morto, mas morto eu vivo na lembrança de vocês. Morto eu vivo o meu maior proposito, sair dessa jaula que nunca me agradou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário